Elena Rybakina cai em Roland Garros e expõe o principal problema do seu jogo: a falta de constância

A maior zebra da rodada em Roland Garros teve nome e sobrenome: Elena Rybakina.

Cabeça de chave número 2 do torneio e ainda sonhando com a possibilidade de assumir a liderança do ranking mundial após Paris, a cazaque foi eliminada na segunda rodada pela ucraniana Yuliia Starodubtseva, atual 55ª colocada do mundo, após uma virada por 3/6, 6/1 e 7/6(4).

Mas mais do que a derrota em si, a partida escancarou um problema que acompanha Rybakina há bastante tempo: a dificuldade de manter constância ao longo das temporadas.

O teto de Rybakina sempre foi altíssimo

Quando o jogo da cazaque encaixa, poucas jogadoras conseguem acompanhar.

O saque potente, as devoluções agressivas e os golpes extremamente retos fazem dela uma das atletas mais perigosas do circuito. Em dias inspirados, Rybakina simplesmente atropela adversárias.

E esse nunca foi o problema.

A questão é que, em algum momento da temporada, o nível dela costuma oscilar. E em Roland Garros isso apareceu da forma mais cruel possível.

As condições rápidas expuseram uma limitação importante

Após a partida, a própria Rybakina admitiu que não conseguiu encontrar o tempo ideal de bola nas condições de quadra mais rápidas por conta do forte calor em Paris.

E isso faz total sentido quando analisamos o estilo de jogo dela.

Rybakina é uma jogadora que bate muito chapado na bola. Seu tênis é extremamente linear, com pouca margem e menos uso de spin em comparação com outras atletas do topo do circuito.

Em condições rápidas no saibro, isso pode virar um problema enorme.

Com o calor, a bola quicava mais alta e andava mais rápido. Resultado? A cazaque perdeu completamente o controle da profundidade dos golpes e começou a “espirrar” bolas para fora durante toda a partida.

O número que resume isso é assustador:
foram 71 erros não forçados.

Rybakina praticamente entregou o jogo

No tênis, erro não forçado significa basicamente uma coisa: você tinha o controle do ponto e entregou.

E foi exatamente isso que aconteceu.

Embora Yuliia Starodubtseva tenha feito uma partida muito consistente emocionalmente, a sensação é de que a derrota passou muito mais pelas falhas de Rybakina do que necessariamente por uma atuação dominante da ucraniana.

A diferença nos números evidencia isso.

Rybakina terminou o jogo com 23 winners contra 13 da adversária, mas os 71 erros não forçados destruíram qualquer possibilidade de controle emocional e tático da partida.

Dependência excessiva do saque preocupa

Outro ponto importante exposto no jogo foi o quanto Rybakina depende do saque para conseguir desempenhar seu melhor tênis.

E o curioso é que o fundamento nem foi tão ruim assim estatisticamente.

A cazaque colocou impressionantes 88% de primeiros saques em quadra, um número altíssimo para o nível profissional.

O problema é que ela venceu apenas 56% desses pontos.

Ou seja: mesmo conseguindo iniciar os pontos em vantagem, o restante do jogo não sustentou o desempenho.

Isso mostra uma dificuldade importante da ex-campeã de Wimbledon: quando ela não encontra o timing perfeito da bola, o plano B praticamente desaparece.

Seu jogo funciona em uma linha muito agressiva e no limite. Quando o encaixe técnico não aparece, os erros começam a se acumular rapidamente.

Aryna Sabalenka segue como número 1 do mundo

Além da eliminação precoce, a derrota também encerrou qualquer chance de Rybakina assumir a liderança do ranking após Roland Garros.

A cazaque precisava alcançar pelo menos a semifinal para ameaçar Aryna Sabalenka na disputa pelo topo.

Com a queda na segunda rodada, Sabalenka garante matematicamente a permanência como número 1 do mundo, independentemente do resultado em Paris.

Já Yuliia Starodubtseva conquista a primeira vitória da carreira sobre uma top 10 e iguala sua melhor campanha em Grand Slams, tentando agora alcançar pela primeira vez as oitavas de final do torneio francês.

E talvez essa derrota de Rybakina resuma perfeitamente sua trajetória recente:
o talento continua sendo inquestionável.

Mas no mais alto nível do tênis mundial, potência sem constância raramente é suficiente.

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