Eu só tenho uma coisa pra dizer: que orgulho do João Fonseca.
A derrota para Jakub Mensik nas quartas de final de Roland Garros certamente dói. Dói para quem torceu, para quem acreditou e, principalmente, para o próprio João. Mas algumas derrotas carregam muito mais aprendizado do que frustração. E essa foi uma delas.
Quem assistiu à partida percebeu que algo estava diferente.
A energia já não era a mesma. As pernas não respondiam com a mesma explosão dos jogos anteriores. A intensidade que marcou toda a campanha parecia cobrar a sua conta. E não poderia ser diferente.
Afinal, João chegou às quartas de final depois de uma sequência que exigiu muito física e mentalmente. Eliminou adversários duríssimos, encarou partidas desgastantes e viveu momentos que certamente ficarão marcados para sempre na história do tênis brasileiro.
Não estamos falando apenas de uma campanha. Estamos falando de um jovem de apenas 19 anos que entrou em Roland Garros e saiu do torneio como uma das principais histórias do Grand Slam.
O preço de uma campanha histórica
Muitas vezes, quando assistimos pela televisão, é difícil compreender o tamanho da exigência física do tênis profissional.
São horas de treinamento todos os dias. Jogos disputados em altíssima intensidade. Recuperação acelerada. Pressão mental constante. Viagens, mudanças de superfície, adaptação e cobrança.
E tudo isso sendo observado por um país inteiro.
João não entrou em quadra apenas como mais um jogador. Ele carregou consigo a expectativa de milhões de brasileiros que voltaram a sonhar com grandes resultados no tênis masculino.
E ele correspondeu.
Ao longo do torneio, mostrou maturidade, coragem e uma personalidade impressionante para alguém tão jovem.
Nem sempre vence quem joga melhor
Grand Slam também é isso.
Nem sempre a diferença está na técnica.
Nem sempre está nos golpes.
Muitas vezes, a diferença está em quem consegue suportar mais um dia de batalha.
Quem consegue recuperar melhor o corpo.
Quem chega com mais combustível para os momentos decisivos.
Mensik fez uma grande partida e merece todos os créditos pela vitória. Soube aproveitar suas oportunidades e foi mais consistente nos momentos importantes.
Mas quem acompanhou o jogo percebeu algo que os números não mostram.
João não queria desistir.
Em nenhum momento.
Mesmo cansado, mesmo sem conseguir repetir o nível apresentado nas rodadas anteriores, ele continuou lutando.
A prova disso foram os seis match points salvos ao longo da partida.
Seis.
Sua mente continuava acreditando quando o corpo já dava sinais claros de desgaste.
E isso diz muito sobre o competidor que ele é.
O futuro continua brilhante
É natural que exista tristeza depois de uma eliminação.
Mas é impossível olhar para essa campanha sem sentir orgulho.
João Fonseca chegou a Roland Garros como uma promessa. Sai do torneio ainda mais consolidado como uma realidade do tênis mundial.
Ele ganhou experiência.
Ganhou confiança.
Ganhou respeito dos adversários.
E ganhou algo que talvez seja ainda mais importante: conquistou definitivamente a torcida brasileira.
Porque existe algo que números, rankings e estatísticas não conseguem medir.
Carisma.
Presença.
Aura.
João tem isso.
Por isso o Brasil vibra, sofre, grita e torce por ele como se fosse alguém da própria família.
E é exatamente por isso que, mesmo após a derrota, o sentimento predominante não é de decepção.
É de gratidão.
Obrigado pela campanha, João.
Obrigado pelas emoções.
E obrigado por fazer o tênis brasileiro sonhar novamente.