Mirra Andreeva é campeã de Roland Garros.
E talvez o mais impressionante não seja o título em si, mas o caminho que ela percorreu para chegar até ele.
Quem acompanhou os primeiros meses da temporada viu uma Mirra diferente. Irritada, chorando em quadra, discutindo consigo mesma, demonstrando dificuldade para controlar as emoções em momentos de pressão. Em vários torneios, parecia que o maior adversário dela não estava do outro lado da rede.
Por isso, é impossível não reconhecer a evolução que aconteceu ao longo dos últimos meses.
Porque talento ela sempre teve.
Quem assiste aos jogos da russa sabe que tecnicamente ela já é, há algum tempo, uma das jogadoras mais perigosas do circuito. É agressiva sem ser afobada, extremamente sólida do fundo de quadra, se movimenta muito bem e possui um saque cada vez mais eficiente. Seu tênis sempre esteve pronto para grandes conquistas.
O que faltava era a maturidade emocional necessária para sobreviver aos momentos mais difíceis que um Grand Slam exige.
E ela encontrou isso justamente em Paris.
Na final, além de toda a pressão natural de disputar o maior jogo da carreira, havia uma adversária extremamente difícil de interpretar. Maya Chwalinska chegou à decisão vinda do qualifying, carregando uma das histórias mais improváveis da temporada. Sem grandes expectativas, jogando solta e sem nada a perder, era exatamente o tipo de rival capaz de transformar uma final em uma armadilha.
Mas Andreeva não permitiu.
Foi fria. Calculista. Inteligente.
Com o vento castigando a quadra durante praticamente toda a partida, ela entendeu rapidamente que aquela não seria uma final para golpes espetaculares. Seria uma final para administrar emoções, escolher os momentos certos e cometer menos erros.
E foi exatamente isso que ela fez.
Controlou o ritmo do jogo, soube lidar com as condições difíceis e, principalmente, demonstrou uma maturidade que poucos imaginavam ver tão cedo em uma jogadora de apenas 19 anos.
Também é impossível falar dessa conquista sem mencionar o trabalho de Conchita Martínez.
A espanhola, campeã de Wimbledon em 1994 e uma das grandes lendas do tênis feminino, já havia conduzido Garbiñe Muguruza ao título de Wimbledon em 2017. Agora, adiciona mais um capítulo brilhante à sua carreira como treinadora ao levar Andreeva ao primeiro Grand Slam da carreira.
A parceria parece ter acelerado um processo que talvez levasse anos para acontecer.
O resultado está aí.
Mirra Andreeva deixa Paris como campeã de Roland Garros, sobe para o Top 6 do ranking mundial e assume a liderança da corrida para o Finals.
Mas, acima de tudo, deixa uma sensação clara para quem acompanha o circuito: não estamos mais falando apenas de uma promessa.
Estamos falando de uma campeã de Grand Slam.
E, considerando que ela tem apenas 19 anos, é difícil não imaginar que este pode ser apenas o começo. 🎾🏆